A denúncia do Ministério Público Federal contra a quadrilha de traficantes de armas internacionais comandada por Frederik Barbieri e que deu origem a operação de ontem que tinha como alvo o policial federal aposentado Josias João do Nascimento, apontado como chefe do grupo, indicou que a organização criminosa adquiria os fuzis por valores em torno de US$ 2.500,00 a US$ 3.500,00.
No Brasil, as armas, munições e acessórios eram vendidas a integrantes das facções criminosas (Comando Vermelho, Amigos dos Amigos, Terceiro Comando Puro) que dominam as comunidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
A conclusão é que cada artefato era vendido no Brasil por valores entre R$ 37.500,00 e R$ 53 mil.
Em uma escuta telefônica feita no dia 13/8/2015, um dos denunciados diz a um traficante que um fuzil AR-15 custaria R$ 45 mil.
A quadrilha de Barbieiri foi responsável pelo carregamento de 60 fuzis que foram apreendidos no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro em 1º de junho de 2017, dentro de bombas e aquecedores de piscinas, transportava as armas desde os Estados Unidos até o Brasil.
Frederik Barbieri foi preso no dia 24 de fevereiro de 2018 no Estado da Flórida, nos Estados Unidos. Na ocasião foi apreendida com ele mais uma carga de aproximadamente 40 fuzis que seriam novamente enviados ao Brasil.
Segundo a denúncia, entre os anos de 2014 e 2017, a quadrilha exportou e importou por 75 vezes, armas de fogo (pelo menos 1043), acessórios (pelo menos 1043 carregadores) e munições de uso restrito (pelo menos 297 mil unidades), sem autorização da autoridade responsável (Comando do Exército), escondidos no interior da carcaça de aquecedores de piscinas e de bombas d’água, transportados em cargas aéreas provenientes de Miami e chegadas ao Brasil no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim.
Assim, tendo em vista que, entre os anos de 2014 e 2017, as exportações/importações eram de 20 unidades por carga, conclui-se que o bando internalizava cerca de 9 mil munições em cada carga de bomba d’água. Levando-se em consideração que foram 33 importações de bombas, conclui-se a organização criminosa importou 297 mil de munições de fuzis.
O documento da Procuradoria detalha mais a estratégia. Em cada unidade de bomba d’água remetida para o Brasil, havia cerca de 450 munições para fuzis.
Quanto aos aquecedores e tomando-se por base apreensão realizada no Aeroporto do Galeão, cada carcaça era recheada com sete ou oito fuzis. Considerando que foram encaminhados 149 aquecedores, conclui-se que foram importados entre 1043 a 1192 fuzis. Como cada fuzil chegava com pelo menos um carregador, valem esses mesmos números para este acessório.
FONTE: Ministério Púbilico Federal