A Justiça decretou a prisão preventiva do atual chefe da maior milícia do Rio de Janeiro, vulgo Naval, pelo o crime de homicídio qualificado contra Rafael Alves Corrêa, conhecido como “Caixote”, no dia 4 de dezembro de 2021, nas imediações do condomínio Bella Vida 2, na Estrada do Campinho, nº 955, em Campo Grande.
A denúncia narra que o crime teria sido praticado em razão de desavenças entre a vítima e o comando da milícia local, no contexto de disputas pelo controle das atividades ilícitas promovidas pela organização criminosa.
Destaca-se a brutalidade do ato, com o emprego de fuzis de uso restrito, resultando em mais de cem disparos que, além de ceifar a vida da vítima, colocou em risco outros indivíduos no local, uma vez que o crime foi praticado em via pública, na entrada de um condomínio residencial, além do fato de que havia uma mulher no interior do veículo, com a vítima.
. A autoria, por sua vez, resta indiciada pelo resultado do Relatório de Identificação Biométrica, realizado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT), da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI), do Ministério Público, a partir das imagens que flagraram a ação delitiva, cujo resultado foi positivo para Naval”.
Frise-se que, por meio dos serviços de inteligência da Polícia Civil, foi possível chegar ao nome do acusado, considerando todo o contexto fático do momento, envolvendo a disputa pelo controle da comunidade do Barbante, conforme se extrai dos autos, servindo o exame antropométrico realizado, para corroborar os elementos indiciários.
Embora os fatos sejam datados de dezembro de 2021, indícios colhidos pelo setor de inteligência da Delegacia de Homicídios apontam que o acusado integra a milícia comandada por Luiz Anônimo da Silva Braga, conhecido como “Zinho”, que atua principalmente na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
O relatório contido no QR CODE demonstram, por meio de postagens em redes sociais, em grupos criados para divulgar esse tipo de conteúdo, que é de amplo conhecimento dos moradores da região, que Naval”, faz parte do grupo criminoso supramencionado.
A título de exemplo, destaca uma postagem que atribui ao acusado a autoria de um homicídio cometido em agosto de 2023, no bairro Cosmos – RJ, evidenciando, assim, a existência de reiteração criminosa, bem como a periculosidade do denunciado.
Naval possui mandado de prisão pendente de cumprimento, expedido em 14/09/2023, pela 1ª Vara Criminal da Capital, nos autos do processo n. 0091028-41.2023.8.19.0001, nos quais ele responde por fatos similares aos apurados nestes autos, isto é, atuação no grupo miliciano comandado por Zinho, com a participação em extermínio de rivais, em um contexto de disputa por controle da organização criminosa.
O fato de o acusado ser foragido da justiça, por crime cujo modus operandi é idêntico ao apurado nestes autos, somado aos indícios colhidos pela inteligência da DHC, demonstra a contemporaneidade do abalo à ordem pública, visto que resta clara a reiteração delitiva do acusado, desde o cometimento do crime apurado nestes autos, bem como evidencia sua intenção de não se submeter à aplicação da lei penal.
FONTE: Site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro