Segundo informações da Justiça, o dinheiro dado em dólares para o pagamento de resgate da advogada Anic de Almeida Peixoto Herdy, foi entregue a bandidos da comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, área que na época do crime, era dominada por milicianos.
Ao todo, teriam sido pagos R$ 4.100.00,00, sendo a metade em bitcoins e a outra metade em dólares.
Anic foi morta e seu corpo encontrado em setembro em Teresópolis concretado na casa do principal suspeito.
A investigação iniciou-se a partir das declarações da filha de Anic que foi até a delegacia comunicar o desaparecimento da mãe “
Segundo ela, Anic sumiu no dia 29/02/2024, por volta das 12:00 h, quando falou com a vítima através do aplicativo WhatsApp, após ela sair de uma consulta médica no bairro Valparaíso no hospital Ortotrauma; Essa foi a primeira vez que foi ao médico em questão por indicação.
A filha só tomou conhecimento total do fato no dia 12/03/2024, através do seu pai, , o qual afirmou ter pago um resgate no valor de R$ 4.100.00,00 (quatro milhões e cem mil reais), sendo a metade em bitcoins e a outra metade em dólares, uma vez que disse que Anic havia sido sequestrada;
Ela contou que quantia em dólares foi supostamente entregue aos criminosos na comunidade do Terreirão, Zona Oeste do Rio de Janeiro;
Falou que Lourival Correa Netto Fatica seria a pessoa encarregada de fazer a entrega do montante aos sequestradores;
Lourival é amigo pessoal do marido de Anic e cuidava da segurança pessoal da família, bem como é responsável pela instalação de equipamentos eletrônicos na residência de toda a família, incluindo a filha.
Lourival tinha como tarefa resolver e assessorar na resolução de questões pessoais dos membros da família;
Anic desaparecida não foi mais vista ou se teve notícias dela, mesmo após o suposto pagamento do resgate.
Disse na época que nenhum momento foi feita prova de vida da vítima;
O carro da vítima, um Jeep Compassa de cor preta placa RKP-4J52, da vítima foi encontrado no shopping Pátio Petrópolis no dia 01/03/2024 com todos os pertences de Anic em seu interior, exceto um celular iphone, o qual não estava no veículo encontrado;
As chaves da residência da declarante também não foram encontradas no veículo.
Contou que o fato ocorrido trouxe muita estranheza para a declarante, uma vez que sua mãe fazia contatos regulares durante o dia com ela.
Recebeu em seu celular uma mensagem repassada por Lourival que seria de sua mãe direcionada ao seu pai.
Essa mensagem só foi mostrada para a declarante, após o fato ter sido noticiado a ela.
No dia 13/03/2024, por volta de 09:00 h, recebeu uma mensagem que seria supostamente de sua mãe; Ela teve conhecimento de que Lourival interviu em todo o processo de tentativa de localização, pagamento e resgate;
Lourival convenceu o seu pai, por questões de segurança, a não procurar pela polícia.
Lourival estava próximo da família há 5 anos.
Ele sempre se apresentou como policial federal.
A filha de Anic namorou o enteado de Lourival, por cerca de seis anos, porém só conheceu o Lourival um ano depois.
As mensagens recebidas supostamente de sua mãe fazem menção a um relacionamento extraconjugal com um policial civil, o qual supostamente seria de Petrópolis.
Contou que Lourival levou seu pai a um suposto advogado e passou o caso.
Este advogado aconselhou o pai a não proceder junto à Polícia, uma vez poderia ser perigoso, já que os policiais se protegem.
A filha de Anic declarante sugeriu a Lourival que fossem para a polícia, o que foi rechaçado por este;
Que este fato se deu no dia 12/03/2024 por volta de 18:00 h.
Lourival chegou a afirmar que sua mãe poderia estar se relacionando com um homem no Paraguai e que este poderia ser o paradeiro dela.
Lourival disse que estaria rastreando o celular de Anic.
Lourival acompanhou o pai da declarante no dia em o resgate seria pago;
Durante o percurso para o Rio de Janeiro, o pai recebeu diversas instruções no seu telefone celular,
Lourival chegou a afirmar que o celular de Anic esteve em todos os pontos onde o o pai passou.
O pai foi para o Shopping West Shopping em Campo Grande, enquanto Lourival se dirigiu para o Terreirão, comunidade no Recreio dos Bandeirantes.
O pai Benjamin esperaria por sua esposa às 15:00 h do dia 11/03/2024, porém mesmo após o pagamento do resgate supostamente feito por Lourival, sua mãe não apareceu.
Em relação ao montante informado, acredita que o seu pai realmente tinha aplicações financeiras capazes de cumprir com a demanda dos supostos sequestradores.
Com relação ao pagamento em Bitcoins, tem a declarar que seu pai não tem conhecimento com esse tipo de operações.
Lourival auxiliou o pai a concretizar a operação. Lourival foi até o Paraguai trocar reais por dólares por mais de uma vez, segundo palavras dele próprio;
Que não sabe ao certo, mas foram ao menos cinco viagens ao Paraguai para troca de dólares;
Que isso foi dito por Lourival para a declarante; Que Lourival chegou a dizer que um suposto chefe, teria dito que as câmeras da alfandega pegaram sua imagem em cinco oportunidades e que poderia vir a ser investigado por evasão de divisas;
Que sabe que sua mãe e Fatica já cruzaram a fronteira do paraguai para realizarem compras.
Que pode afirmar que seu pai nunca os acompanhou nessas programações de compras no Paraguai, as quais aconteceram por mais de uma vez;
Que o pai da declarante já teve uma ex-esposa sequestrada há mais de 20 anos; Que foi ele próprio quem foi realizar o pagamento do resgate; Que as discussões entre seus pais eram constantes; Que a relação do casal tinha momentos de altos e baixos; Que sua mãe não trabalhava na época.
Contou na ocasião que não entendia exatamente o que estava acontecendo no momento e tinha esperanças que sua mãe esteja bem, desejando o seu retorno ao lar”.
FONTE: Página oficial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro