O Ministério Público e a Polícia Civil tentam cumprir cinco mandados de prisão e três de busca e apreensão contra criminosos denunciados à Justiça por envolvimento no atentado aos médicos ortopedistas, em outubro de 2023, em um quiosque, na Barra da Tijuca.
Entre os denunciados estão Edgar Alves de Andrade, o Doca, Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW, Carlos da Costa Neves, o Gardenal, lideranças do Comando Vermelho.
Os médicos foram mortos porque os bandidos confundiram um deles com Taillon de Alcântara, chefe da milícia de Rio das Pedras.
Por conta das mortes dos médicos, a cúpula do Comando Vermelho decidiu pela morte dos envolvidos, entre eles o mandante, vulgo Lesk.
A Promotoria denunciou os cinco homens por três crimes de homicídios dolosos consumados e um tentado, todos quadruplamente qualificados como motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa das vítimas, com emprego de armas de calibre restrito (9mm) e para assegurar outros crimes.
Além de Doca, BMW e Gardenal, foi denunciado também Francisco Glauber Costa de Oliveira, o GL, que está preso.
.A motivação do crime seria a expansão do domínio da facção criminosa do Complexo da Penha para região da Grande Jacarepaguá.
A tentativa de executar o miliciano Taillon Barbosa era considerada um passo fundamental para enfraquecer a milícia e fortalecer o domínio do Comando Vermelho na região.
A denúncia aponta, ainda, o envolvimento dos acusados em outros episódios de violência, ligados à expansão territorial. Entre as provas reunidas está a identificação do veículo utilizado no crime, um Fiat Pulse branco com teto preto, vinculado a outros homicídios na área.
Depois da grande repercussão nacional da execução dos médicos, ao constatarem que as vítimas não eram milicianos, lideranças do Comando Vermelho ordenaram a execução dos responsáveis pelos disparos, aponta a denúncia. A medida teria sido uma tentativa de minimizar a repercussão negativa e desviar a atenção do caso.
Expansão territorial
Desde o início de 2023, os traficantes do Complexo da Penha intensificaram a tomada violenta de comunidades em Jacarepaguá e arredores, historicamente dominadas pela milícia, como a Gardênia Azul e a Muzema.
A meta dos bandidos seria formar um “Complexo de Jacarepaguá” sob seu controle, aumentando as atividades criminosas como o tráfico de drogas, roubos, extorsão de comerciantes e exploração de serviços clandestinos.
A expansão do CV na região foi marcada por execuções brutais de milicianos e supostos aliados, praticadas por um grupo denominado “Equipe Sombra”, especializado em assassinatos direcionados. O bando, comandado pelos denunciados, teria apoio direto de lideranças do Comando Vermelho.
FONTE: Ministério Público Estadual e Polícia Civil do Rio de Janeiro