A Justiça decretou hoje a prisão preventiva dos traficantes Raro, Arafat, ambos presos, Coelho e Menor D, todos do Complexo da Pedreira, em Costa Barrros, por um homicídio cometido em 2022.
Consta nos autos que, no dia 10/2/2022, um rapaz chamado Gabriel teria ido à comunidade do “Chaves”, que integra o Complexo da Pedreira, no bairro Barros Filho, onde costumava frequentar o “Bar Mercearia Chega Junto”, e teria sido executado por traficantes locais.
Pelos depoimentos das testemunhas. a comunidade estava, à época dos fatos, sob o controle da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), que realizava abordagens e revistas em moradores para identificar possíveis inimigos e consolidar seu domínio na localidade, pois se encontrava em disputa territorial com o Comando Vermelho.
Segundo os testemunhos, durante uma dessas abordagens, Gabriel teria sido interceptado por um grupo de traficantes armados, no “Bar Mercearia Chega Junto”, e teve seu telefone celular revistado.
Ao encontrarem conversas com integrantes do Comando Vermelho – a facção rival – os criminosos passaram a acusar a vítima de ser “X-9” (um informante da facção rival).
Gabriel possuía amigos de infância ligados à facção rival, o que teria sido suficiente para que fosse considerado uma ameaça pelo TCP.
Em seguida, a vítima teria sido levada para um contêiner na comunidade, onde teria sido brutalmente executada.
Consta que, enquanto Gabriel clamava por socorro e afirmava que era morador e tinha família, os criminosos o acusavam de ser “X-9”. Gritos de dor foram ouvidos, seguidos de silêncio.
Nesse sentido, vejamos um trecho do termo de declaração de uma testemunh “que o declarante foi colocado em um canto separado na rua juntamente com Gabriel; Que o declarante conseguiu reconhecer Gabriel sendo abordado pelos criminosos na mesma oportunidade em que estava sendo abordado; que o declarante viu quando Gabriel foi levado para dentro de um container juntamente com dois elementos que não consegue identificar; que, na oportunidade, conseguiu ouvir Gabriel clamando por socorro, falando que era morador, que tinha família e gemendo de dor; que os elementos armados gritavam “Socorro é o c…, tu é X9”; Que o declarante não viu se estavam batendo em Gabriel ou se o estavam esfaqueando, mas que, no momento, não ouviu nenhum disparo de arma de fogo;
A testemunha disse acreditar que os criminosos esfaquearam Gabriel; Falou que os criminosos gritavam para Gabriel “se gritar vai morrer”; (…)
O declarante afirmou que quando chegou em casa começou um tiroteio bem intenso que durou até às 02H00MIN do dia 11/02/2022; Disse que teve muitos tiros e mais parecia um confronto que uma execução. Contou que soube que Gabroeç teria sido morto a facadas naquela madrugada do dia 11/02/2022.”
O conjunto das declarações prestadas apontam que Gabriel teria sido morto a facadas, embora seu corpo não tenha sido encontrado, havendo a suspeita de que tenha sido ocultado ou queimado, prática recorrente em casos de execuções realizadas pelas facções ligadas ao tráfico de drogas.
FONTE: Site oficial do TJ-RJ