Processo na Justiça que resultou em condenações esmiúça a quadrilha do traficante Paulinho Madureira ou Neymar, preso recentemente, que comandava várias favelas em Niterói e São Gonçalo.
Além do tráfico de drogas, o bando tinha atividades correlatas como a prática de roubos de carga e roubos de veículos, receptação, homicídios, assim como uma constante execução de atividades de convencimento e aliciamento de agentes públicos da polícia para que não façam o devido combate à atividade criminosa.
Os valores arrecadados com o tráfico de drogas, são em sua maioria destinados à compra de insumos, armamento, pagamento de mão de obra, mesadas à traficantes presos, pagamentos de servidores públicos da polícia e agentes penitenciários, familiares e possível lavagem de dinheiro.
O grupo atuava no Morro da Torre, Beira Rio, Morro do Cabrito, Água Mineral, Girassol, Lodial e Lagoa/Boaçu, em São Gonçalo e Buraco do Boi, localizada em Niterói, área limítrofe com São Gonçalo, todas redutos do Comando Vermelho.
A malta está voltada para prática do tráfico de drogas, roubos de cargas e veículos, receptação, corrupção de agentes A quadrilha fazia uso constante de extrema violência e de armamentos de grosso calibre, como fuzis e pistolas, gerando uma rotina de terror aos moradores, comerciantes e empresários das comunidades capturadas.
Paulinho, que chegou a ficar preso durante anos, concentrava em suas mãos o poder de comando para consecução das atividades da ORCRIM, na medida em que detinha a capacidade de executar e determinar os atos necessários à materialização dos crimes.
Ele é irmão de Luiz Queimado, membro da alta cúpula do Comando Vermelho e dominava diversas comunidades em São Gonçalo, antes de seu óbito 7 .
Como forma de manter o controle sobre as atividades da malta, Neymar delegou as funções de comando para Di Maria.
Ele ficou preso com seu chefe e adquiriu sua confiança.
Ele apelidou seu comando de ‘Gestão Fabulosa e como forma de diferenciar o material entorpecente vendido nas comunidades dominadas criou uma etiqueta (“carimbo”) aposta nas drogas, que caracteriza e indica a delimitação territorial da sociedade delinquencial.
Dollar era o frente da Buraco do Boi sendo o responsável pela organização e comando das “bocas de fumo”, viabilizando o pleno funcionamento do tráfico de drogas.
Ele tinha ainda a função de orquestrar os roubos de carga nas imediações da favela.
Biri, mesmo cumprindo penam tinha a incumbência de agenciar novos integrantes para atuação no Buraco do Boi e ainda era o responsável pela intermediação da compra de armamento para malta, através de contatos com Di Maria.
Bolha era o gerente de “pó” (cocaína) e de maconha na comunidade do Boi.
Ele tratava sobre aquisição e preparo de drogas diretamente com Di Maria.
No Novo México, Pantera era o “frente” sendo responsável pela tomada de decisões, venda de drogas, contabilidade e prestação de contas do produto do crime,
Bosquinho era o responsável pelo transporte de drogas das comunidades.
Ele seria a pessoa responsável por buscar os “carimbos”, ou seja, as etiquetas que são anexadas às embalagens das drogas. Tais etiquetas são fabricadas no interior da Comunidade da Nova Holanda no Rio de Janeiro. Por exercer a atividade de Uber, a utilização de “Bosquinho no transporte de drogas, torna a ação mais segura para o tráfico, uma vez que, em eventual abordagem policial, se passaria por um trabalhador comum.
No Lodial, o frente era FP, que por ser muito jovem, era supervisionado por Zulu.
Preso, o bandido vulgo Novato recebia”mesada” na cadeia, sendo considerado membro “faixa preta”, isto é, fiel aos líderes da organização criminosa.
Ele ainda reforçava sua condição de integrante da quadrilha ao se auto intitular “bandido matador de polícia” e ao afirmar para “Neymar que seria solto em breve e que ia colocar o tráfico para funcionar bem, como estava funcionando na Lodial.
A comunidade Girassol tinha como principal elemento o vulgo Salgueiro.
Na Água Mineral, o frente era Bocão, que era encarregado de entregar propina aos policiais corruptos.
Na Lagoa/Boaçu, o braço-direito de Di Maria era Dedeco, que ficava responsável pela guarda do entorpecente, tendo ainda a função de auxiliar na distribuição das drogas entre os diversos pontos de revenda sob o controle da malta e realizar anotações sobre a venda do entorpecente em caderno de contabilidade.
Therry, era vapor” e “olheiro”, na localidade conhecida por “Flamengo”, na Rua Roberto Duarte, Boaçu.
Na Beira Rio e Morro da Torres, a principal figura era Cabeludo.
No Morro do Cabrito, Yuri Gordão era o gerente e articulador de roubos de cargas e de veículos na região de São Gonçalo,
Tinha como prática articular e autorizar os “menores” a praticar roubos, determinando que não sejam realizados em área sob controle da facção criminosa CV.
Ele deixou veículos roubados no interior da Comunidade do México, contrariando ordens do chefe “Di Maria”. Tal fato teria desagradado o bandido”, que deu ordens para que o veículo fosse recolhido por outros membros da malta.
Gordão, no entanto, retrucou afirmando que tinha autorização de Paulinho para praticar os roubos, tendo dito que não roubaria nas comunidades sob comando de “Di Maria.
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Lorran Canalha eraencarregado de enterrar as cargas de drogas em galões para armazenamento e posterior revenda do material entorpecente.
Ainda atuava como “vapor”, dando “plantão na boca de fumo” quando exerce a atividade de venda do entorpecente.
Também executava roubos de veículos em benefício da malta, com a utilização de armas da ORCRIM, por ordem e autorização de “Di Maria.
Filho é enteado de Di Maria e pessoa de extrema confiança dele”, que o trata como se fosse filho.
Tinha a incumbência auxiliar seu padrasto na gestão da atividade espúria da súcia, além de auxiliá-lo nos deslocamentos de motocicleta pelas comunidades dominadas, sendo esta função sensível e relevante, na medida em que há mandados de prisão pendentes de cumprimento para Di Maria”.
Ele ainda auxiliava seu padrasto nos deslocamentos para encontrar os fornecedores (matutos) de drogas que possibilitam o abastecimento dos “estoques”.
Total ou Playboy , preso em Bangu, era homem de confiança de Marcinho VP e do falecido Elias Maluco e exercia a função de fornecedor de armas, sendo intermediário da venda de fuzis (“bico”).
Diego Mototáxi tinha por incumbência realizar depósitos bancários das quantias provenientes da venda de entorpecentes, muitas vezes em benefício de outros membros da súcia, que estão presos.
Ainda cabia a ele a intermediação do conserto das motocicletas utilizadas pela malta, em especial na oficina do mecânico conhecido por “Thiago Cuzinho.
Das Mulheres era vapor e trabalha em dois pontos de tráfico de drogas, ambos em áreas dominadas pelo Comando Vermelho. e também vendia entorpecentes trabalhando para o “frente” do Morro do Querosene, também em São Gonçalo,
Também vendia entorpecentes para o traficante Gê que, por sua vez, mantém contato frequente com “Di Maria”, pois endolam drogas na localidade conhecido por “Jamaica”, no Portão do Rosa.
Em razão do acúmulo de funções nas duas ORCRIM’s, “Das Mulheres se queixou com “Di Maria” que nem sempre conseguirá trabalhar nos dois locais, revelando sua adesão a ambas as sociedades delinquenciais.
Tinha também o Bodinho, que avisava aos demais membros da ORCRIM sobre a movimentação de policiais nas comunidades, em especial a Comunidade Água Mineral, atuando como “atividade” ou “olheiro
Ele fazia isso por intermédio do envio de mensagens no aplicativo WhatsApp, para um grupo denominado “FAMÍLIA NEYMAR ATÉ O FINAL”, o sobredito denunciado informava a presença de policiais na área de atuação da malta. A mensagem com o teor: “paz na mineral” faz expressa alusão a ausência de policiais rondando a comunidade..
FONTE: Site do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro